No Presente

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Fazia tempo que eu não comprava algum livro que tivesse alguma história gay para ler, e acabei gastando dinheiro nessa arapuca.

André é um menino (a idade não é revelada) abalado com a morte de um tio querido, apaixonado por X-Men, Van Gogh e veterinária, com uma forte aptidão para o piano. Ao mesmo tempo que tenta entender o que aconteceu, tem ainda que lidar com o fato de ser alvo de chacotas na escola e com sua atração por homens. Resolve bancar o detetive e logo descobre que o tio havia morrido de AIDS, que o cara que alugava o quarto do apartamento do tio era na verdade namorado dele. E com esse namorado acaba criando uma amizade e tendo com quem tirar suas dúvidas.

A proposta do livro é até interessante. Consegue a proeza de mostrar a visão de uma criança sobre a homossexualidade e como ela lida com o fato de ser gay, sem cair na pedofilia. Mas ao tentar mostrar como uma criança narraria sua história, acaba caindo num texto repetitivo, cansativo, fraco e sem graça. Fica o mérito porque até onde eu sei, ninguém jamais escreveu sobre um assunto tão delicado. Mas faltou tato e sensibilidade por parte do autor.

E eu já revendi meu livro na Cultura, e ganhei um troco para comprar outro. Sobre homossexualidade na infância, eu ainda estou esperando o filme Do Começo ao Fim estrear no cimema, que trata do mesmo assunto.

Copiando o que já estava ruim

Maldito dia aquele que eu comecei a comprar Turma da Mônica Jovem, apenas por curiosidade. O problema é que, por falta de grana, peguei o barco andando e só consegui ler a partir do terceiro número. Mas como consegui comprar os números anteriores, que estavam esgotados e foram republicados, comecei a colecionar.

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Este último número eu achei especialmente um lixo, forçado demais, com uma história ridícula. O recurso de lembrar como nós éramos na infância usando imagens da Turma da Mônica tradicional, presentes em todos os números desde que começou, já deu, mostra total falta de criatividade. Igualmente patético é o Cebolinha, que desde o número anterior fica dando lição de moral. Juro que se não melhorarem, eu paro de comprar e vou doar minha coleção.

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Mas agora apareceu algo ainda mais medonho, chamado Luluzinha Teen. Totalmente oportunista, pegaram os personagens da cartunista Marjorie Henderson Buell (falecida em 1993 e que agora deve estar se revirando no túmulo), fizeram com que eles crescessem e jogaram no mercado pra ver no que dava.

O problema é que os personagens não se parecem em nada com os originais. Luluzinha perdeu os cachinhos. O Bolinha de Bolinha não tem mais nada, já que emagreceu e virou só um menino desajeitado. O Alvinho virou surfista, e a Glória, que era uma menina chata e insuportável, virou uma perua e é a melhor amiga da Lulu, tirando o posto da Aninha que virou uma nerd viciada em tecnologia. Ficaram todos irreconhecíveis.

Na verdade, tanta mudança tem explicação: a revista não encontraria público se os personagens continuassem do mesmo jeito. Isso porque não é publicada mais no Brasil desde 1996, e acho que aquele desenho nem deve passar mais na televisão. Ou seja, ninguém mais lembra dos personagens. Então, forçaram uma semelhança com a cantora Pitty, que faz uma participação especial e até aparece sendo entrevistada no número de estreia. Daria até para perdoar tanta deturpação se pelo menos a história fosse boa, o que não é o caso. Também no estilo mangá, que nem a Turma da Mônica Jovem, o traço é confuso, mal desenhado, e mistura cores com preto e branco.

Um detalhe curioso é ter escrito “primeira temporada” na capa, ou seja, já tem desculpa para acabarem com a revista se encalhar nas bancas. E é claro que eu vou acabar comprando (sim, eu só folheei a revista e detestei), porque eu tenho aquela coisa mórbida de saber até onde uma coisa pode ser ruim.

Ou, como dizia Falcão, não tem nada tão ruim que não possa ser piorado.

(P.S.: só tá faltando o Alvinho aparecer fumando maconha e a Aninha ser lésbica…)

Shelter

Fazia tempo que eu não ia ao cinema, e ontem foi a primeira vez este ano. Daí fui ver Shelter, traduzido toscamente como De Repente, Califórnia.

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Devem ter desenterrado esse filme, feito em 2007, por ocasião da parada gay. O lugar onde eu assisti não podia ser mais opotruno, o shopping Frei Caneca.

A história é a mesma de sempre: Zach (Trevor Wright) é um cara típico de cidade pequena do litoral californiano, que teve que deixar de lado seus sonhos para ajudar a família. Passa os dias trabalhando numa lanchonete, surfando, pichando as ruas e cuidando de Cody, um garoto de cinco anos que vê um pai nele, filho de uma mãe solteira que mal olha para ele.

Eis que aparece Shaun (Brad Rowe), um escritor que foi tentar a vida em Los Angeles, irmão de Gabe, seu amigo de infância. Não demora muito para que eles caiam numa noite de bebedeira e partindo pros finalmentes. O maior problema é que Zach é tão mal-resolvido que demora pra entender o que realmente gosta. Tem lá um cara que gosta dele e ele perde tempo tentando gostar de Tori, uma loirinha muito sem sal.

Embora o filme apresente uma mensagem positiva, tem horas que força a barra. A certa altura, os namorados saem de mãos dadas do carro, só para provocar uma desnecessária cena de homofobia. Além disso, demora pra começar, perdendo tempo com cenas de surfe.

No final, sobrou um filme mediano, meio Sessão da Tarde, mas vale a pena.

Du poulet avec bière

Ontem depois do trabalho, fui parar num lugar um tanto insalubre: uma barraquinha de hot-dog e espetinho que fica na Consolação. Lá eu comi três espetinhos, um deles tinha daquelas calabresas vagabundas, bem jesus-me-chama, outro de asinhas de frango e um de carne. Se bobear, carne de gato. Pra beber, cerveja, que pelo menos estava gelada.

Não que meu dia de trabalho tivesse sido ruim, pelo contrário. Esse seria o melhor motivo que eu teria para querer beber e comer essas porcarias. Ainda mais num frio de 14 graus e num lugar que é um antro de bicha velha e horrorosa. O que acontece é que eu gosto de dar essas escapadas de vez em quando, ou pro bar ou pra comer porcaria. Afinal, tenho plano de saúde pra que…

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Lembrei que no final do ano passado o clima estava tão ruim que a melhor coisa que eu podia fazer para esquecer a porcaria de vida que eu levava era encher a lata. Bom, na verdade só fiz isso uma vez. Um dia eu fui deixar minha mãe na rodoviária, e depois que ela foi embora fui para um fast-food na rodoviária do Tietê onde tomei um mega-chopp de 700ml. Já estava bem alto, mas com medo do efeito passar logo entrei em outra lanchonete e pedi outro. Em pouco tempo, eu estava dando risada de um cara bem mais bêbado do que eu, de tanta besteira que ele falava. Até hoje me arrependo de não ter tomado mais um chope, mas fiquei naquela de não gastar dinheiro demais – mesmo bebendo, eu não perco a noção do dinheiro. Apenas comprei um pacote de pururuca e vim comendo até em casa.

Acho que cheguei em casa por instinto, de tão bêbado que eu estava. Pelo menos eu fui feliz, me sentia leve, via a vida com outros olhos, e pouco me lixando pra tudo na vida. Até a hora do porre passar e eu recobrar a razão.

Agora não vejo a hora de tomar meu primeiro porre…

Je veux être tout-seul

Tem horas que eu gosto de ficar sozinho, mesmo trabalhando num lugar onde deve ter umas 300 pessoas.

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Tenho procurado sentar num lugar onde ninguém me conhece, nem sabem quem eu sou, pra eu poder ficar mais à vontade. Quando vai chegando o final do turno, quase todo mundo já foi embora e fica deserto, só fico esperando dar meu horário. O chato é que essa atitude causa estranheza em algumas pessoas. Me chamaram na mesa e vieram, botando a mão no meu ombro, com a mesmíssima pergunta de sempre:

- O que tá havendo? Por que você não quer sentar aqui? Tá acontecendo alguma coisa? Teve problema com alguém, ou comigo? Pode falar, cara…

Infelizmente, a resposta que dá vontade de dar não é a mesma que sai porque é preciso evitar bater de frente com certas pessoas. Mas se eu pudesse, a resposta seria:

- Claro que tá acontecendo. Esse pessoal não passa de umas crianças, esse equipamento é uma bosta, você é um merda com o rei na barriga e trabalhar aqui já é um saco, mas aqui desse lado tá pior ainda. Além disso, eu não vou com a sua cara.

E como eu faço o possível para evitar confusões, prefiri me conter. Joguei a culpa só no equipamento, mas falei com tanta raiva (era visível na minha cara) que ficou evidente que o problema não era só esse. Mesmo assim convenceu.

- Você está feliz lá?

Essa foi a pergunta que encerrou o assunto, respondi que sim e fui embora.Logo depois, voltei para o meu lugar, onde eu pretendo continuar mais vezes até que alguém realmente se oponha.  E me deixaram em paz, passando a falar de coisas que realmente interessavam.

Qu’est-ce que je fais avec toi?

Achei engraçado o dia em que você falou que teve pesadelos, sonhando que eu estava te enganando com um menino que eu conheço de vista. E já que eu tinha que aguentar você falando dos seus amigos, então eu também comecei a falar dos meus. E aí você não aguentou. Começou a se sentir traído, passado pra trás, sei lá.

Mas que diabos, a gente não era só amigo? A gente já não era ex, já tinha terminado? Pelo menos foi o que você disse na primeira vez que eu lhe perguntei. Ainda assim, porque você perguntou se eu falei de você para um colega no trabalho gay assumido, como se eu tivesse alguma obrigação. Só pra saber sua resposta, eu ainda disse:

- Não falei de você pra ele porque eu não sabia como que eu ia te definir. Como é que eu te defino para ele?

(momento de dúvida seu)

- Amigo. Porque pra ser namorado tem que ser fiel, não acha?

Ok, tudo continuava na mesma. E isso foi antes de eu conhecer e me interessar por aquela pessoa. Não em pensando namoro – podia passar sem isso por um bom tempo – mas alguém pra bater um papo. E mesmo assim, você começou a se sentir traído. Aí, depois de um tempo, fiz a mesma pergunta de novo. Sua resposta foi: “namorado”. Agora virei namorado de novo?

E enquanto eu escrevia este post, fui olhar a foto dele. E não é que você tinha renomeado a foto como “VAI A MERDA”? E como eu quase não acessava aquela pasta, só agora que eu fui ver. Que foi, ficou com ciúmes? Só sei que eu tenho uma pergunta a fazer…

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O quê é que eu faço com você?

We are sorry, really?

Eu acho incrível de como o mundo dá voltas em tão pouco tempo. Sábado passado mesmo, eu estava te pagando um almoço, e nem me importando com o valor da conta…

Bem no primeiro dia deste ano, eu ouvi coisas bem horríveis de você. Dizendo que ia morar sozinho. Que ia receber seus amigos, ia fazer coisas que bem entendesse, e que se por acaso eu quisesse te acompanhar, teria que seguir as suas regras. Isso incluía dormir fora de casa quando você bem entendesse. E eu não estava com moral para fazer qualquer exigência. Afinal, como disse você, eu ”quebrei o encanto” (e não dava para ser menos piegas?)

Além disso, disse que queria viajar sozinho, e que eu teria que merecer sua companhia de novo. Eu estava fora da sua vida. Não totalmente fora, já que continuamos morando debaixo do mesmo teto. Mas você ia viver sua vida do jeito que sempre quis, ou achou que sempre quis. Começou a fazer coisas que eu nunca aceitava. Pelo menos uma coisa eu aprendi: a parar de me importar tanto com você. Você não é mais criança, eu nunca fui seu pai. E agora só vou me importar com suas besteiras quando elas também me atingirem.

O que eu achei engraçado foi você não me deixar conhecer seus amigos, e mandar que eu procurasse os meus. Mas ainda assim, ter que ficar ouvindo o tempo inteiro sobre eles. Pra que eu tenho que saber da vida de uma pessoa que eu não podia nem sequer conhecer? Tava pensando que eu era o quê? Plateia? Tou fora. Nunca fui plateia pra ninguém.

E justamente por não ser plateia, não queria saber das viagens que você vai fazer sozinho, dos caras que você queria transar,do que você ia fumar ou beber daqui em diante. Daí, um belo dia, eu resolvi ficar em casa, porque foi melhor dormir do que aguentar suas conversas. E dormi muito bem, um fim de semana inteiro. Logo veio o resultado: você ficou com falta de ter com quem falar e brigou comigo, já que eu estava de saco cheio de ter que saber da sua vida.

Daí comecei a fazer exatamente o que você queria que eu fizesse: fui viver minha vida, procurei meus amigos, lutei para ganhar meu dinheiro no lugar daquele emprego micado que eu tinha. E deu certo. Arrumei outro emprego. Conheci pessoas novas. Aprendi coisas novas. Parei de gastar dinheiro com besteira e dei um rumo à minha vida. E valeu a pena. E também parei de falar de você para outras pessoas.

Mas e quanto a você? Hoje a gente mal se vê. Mal passamos duas horas por dia juntos. Você agora tem toda a liberdade para fazer o que sempre quis. Mas por que você fica em casa na maior parte do tempo, quando volta do trabalho? Enfornado na TV, no DVD e no PC, quando podia estar por aí bebendo, fumando maconha e saindo com gente que eu sempre abominei na minha vida? Afinal, passei 11 anos ao seu lado, e não fui capaz de fazer justiça a tanto tempo de namoro, pelo menos não do jeito que você queria.

Não estou me isentando de culpa. Sei o quanto eu fui culpado por esse namoro ter acabado. Eu traí, fiz coisas que te magoaram e nunca fui digno de todo o amor que você me deu. Te decepcionei, te magoei, você chorou muito por minha causa. E estava apenas levando o troco por tudo que eu fiz.

Então, por que você agora me liga? Me abraça, me beija, me compra presentes e fala que me ama tanto? Por que não me chama mais de ”ex” e nem diz que a gente terminou, como fazia antes? Por que você está tão carinhoso comigo, depois de tudo que aconteceu? Me chama para almoçar, faz planos para meus dias de folga, e principalmente, diz que não consegue viver sem mim, nem me esquecer para ter sua própria vida? Vai a lugares que eu gosto e que você nunca gostou, em vez de impor os seus? E ontem mesmo, disse pra eu não arrumar outro emprego, para sobrar um pouco de mim pra você?

Acho que é porque eu sou a única pessoa que realmente esteve presente em muitos dos momentos da sua vida. Amigos vieram e se foram, mas eu fiquei. Agora quer que eu lhe chame de ”namorado” de novo. Eu não me sinto tão à vontade para isso quanto antes. Alguma coisa mudou em mim. Não sei o que é, mas espero que eu não volte mais a ser como eu era antes.

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De uma coisa eu sei: eu não preciso provar para você que, mesmo com toda essa crise, o quanto eu te amo. E que cada um tem sua parcela de culpa. Mas eu não chamo isso de ”recomeço”, porque pra mim nada acabou, apenas mudou de nome e de cara. E eu te amo muito. Nunca se esqueça disso.

STOP

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Ça suffit!

Essa semana que passou foi a gota d’água. Do jeito que estavam indo as coisas, eu não sei como que isso ia terminar. Mas certas coisas estavam se tornando insustentáveis.

Foram muitas brigas, discussões, mágoas, traições, ciúmes, segredos para os dois lados, até que chegou o dia em que precisamos tomar uma decisão. De tudo concluímos duas coisas: estivemos muito tempo fora de sintonia. Ele querendo uma coisa, eu outra. E exigindo coisas que eu nunca fui capaz de dar. Apesar de ser complicado, e eu ainda estar acostumando com essa idéia, resolvemos dar um tempo. Eu já vinha pedindo isso, ele sempre negou, mas agora entendeu.

There is no more love, in this whole world, there is no more love…

Para chegarmos a tal decisão, passamos meia semana longe um do outro. Ele viajou, eu fiquei. Ele pensou muito no que eu sou para ele, eu nem parei para pensar nisso porque já estava deprimido o suficiente. Fui trabalhar deprimido, tive crises de raiva, quase chorei na rua. Ele ficou lá, cool, fazendo coisas que eu nem imaginaria que ele seria capaz, e foi feliz durante esse curto tempo.

E agora, o que vem? Continuamos amigos, mas uma amizade colorida. E vivendo debaixo do mesmo teto. Foram 11 anos de namoro, que não se jogam fora assim. Ele vai seguir com a vida dele, e eu com a minha. Eu não vou invadir o espaço dele, ele não vai invadir o meu. Ele vai encontrar seus amigos, eu fico em casa na internet. Ele vai curtir suas ervas, eu meus chopes. Ele vai aos restaurantes caros que tanto gosta, eu vou comer frango assado ou marmitex do boteco. Enfim, cada um na sua, apenas marcando presença na vida do outro. Eu aprendi que tenho ao menos três coisas para oferecer: amizade, companheirismo e sexo. E tenho certeza de que ele não quer perder isso.

Quanto a mim, sei que terminou a fase das mágoas e começou a das incertezas. Eu tenho que me segurar ao pouco que me resta nessa vida. Meu trabalho, que vai ter uma mudança radical pro ano que vem. Minha família, que se resume a minha mãe e uma prima. Uns poucos amigos, que raramente vejo porque moram fora de São Paulo. E, claro, à pessoa mais amiga que encontrei nesta vida, a primeira que me compreendeu de verdade. Eu ainda estou me acostumando com essa idéia de “amizade colorida”, vai levar tempo para eu conseguir digerí-la depois de tanto tempo de namoro.

E encerro este post que foi um dos mais sinceros que eu já escrevi. Vou deixar aqui uma música que é a que melhor tem me definido.


CARA VALENTE (Maria Rita)

Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir…
Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração
Olha lá!
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo Cara Valente
Mas veja só
A gente sabe…

Esse humor
É coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai não…

Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só!
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só!
Um jeito de viver
Nesse mundo de mágoas…

Retour des cendres

Fiquei o mês quase todo afastado desse blog. Uma semana sem internet, graças ao belo serviço prestado pela Telefônica que quase fez com que a gente assinasse Vírtua. E também por ter passado por uma das piores crises no meu namoro. E pela pior semana desse ano, e uma das piores da minha vida.

Eu não vou entrar em detalhes porque interessam somente a mim. Concluí dessa história que nem sempre é bom falar a verdade, mas sim o que o outro quer ouvir, para não ter que ver cenas de ciúmes, mágoas e chiliques, além de muita raiva e um monte de promessas que só quem acredita em Papai Noel acha que vão ser cumpridas. O melhor mesmo foi deixar as coisas como estão.

Para coroar minha semana, rondou o perigo de mais uma internação, mas felizmente alarme falso. Só que estou com o rosto inchado – e não foi de nenhuma briga. Meu último exame de sangue também está um desastre. Só quero ver o que meu médico vai inventar agora…

Filmes? Bom, não vi nenhum que prestasse durante o mês inteiro. O melhorzinho foi Piaf, um Hino ao Amor. Fraquinho, mas bem feito e com ótima interpretação, bom para saber um pouco mais sobre Edith Piaf. Ray é um lixo, apesar da ótima interpretação do Jamie Foxx. Scar 3D, UMA ENORME PORCARIA. Um filme de terror adolescente tão ruim e mal-feito que nem os efeitos em 3D funcionavam. Nas cenas mais escuras, a imagem fica toda borrada mesmo com os óculos. Dinheiro jogado no lixo.

Ontem eu vi A Duquesa. Não é tão ruim quanto os outros que eu vi, mas muito água-com-açúcar, com uma história melosa sem final feliz. Aliás, queria saber o que anda acontecendo nos cinemas de São Paulo: tanto no Scar quanto nesse, tinham menos de vinte pessoas na platéia.

Enfim, esse mês foi horroroso. E o meu natal vai ser o tédio de sempre. Mais um ano que eu não vejo a hora de terminar logo…

007 Quantum of Solace

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Fazia tempo que eu tinha enjoado dos filmes do James Bond. Se eu gostava quando eu era adolescente, hoje em dia acho muito bobos, do tipo “desligue o cérebro”. Pra se ter idéia, há pouco tempo aluguei 007 O Espião que Me Amava e nem terminei de assistir. E é um dos melhores da série.

Pelo que vi desse Quantum of Solace, a série não melhorou nada. O personagem ficou irreconhecível: vingativo, perturbado, que mata a rodo e ainda larga o corpo de um amigo na lata de lixo. A história, sobre um ditador deposto que quer recuperar seu país e conta com uma organização que de tão poderosa tem gente infiltrada até no Serviço Secreto britânico, é um horror. Assim como horrível é também o diretor, que não sabe nem filmar uma cena de ação (todas são fracas e confusas). E pra completar, a vinheta foi pro final do filme… E estão precisando trocar essa M, porque Judi Dench não faz nada além de agir como uma mãezona que dá umas palmadas no filho desobediente mas depois passa a mão na cabeça dele.

De bom mesmo, só a música de abertura, Another Way to Die (Jack White & Alicia Keys), porque nem a abertura presta.

Na verdade, foi melhor assistir a essa bomba do que ficar em casa. Estávamos eu e o namorado passando uma tarde chuvosa no Shopping Higienópolis, sem nada pra fazer e voltar pra casa seria passar outro tédio…