Arquivo para Abril, 2008

Le séisme

Postado em Des conjectures com as tags , , em Sexta-Feira, Abril 25, 2008 por Fantôme

J’avais que parler de ce sujet…

Como qualquer coisinha que acontece vira motivo para o maior estardalhaço, principalmente da imprensa, essa semana não se falou de outra coisa a não ser do terremoto que aconteceu em São Paulo e mais quatro estados. E foi ótimo, porque deu um descanso para os ouvidos do caso Isabella, cujo assunto não agüento mais ouvir uma vírgula.

O problema é que o terremoto não foi grande coisa, nada caiu, ninguém morreu e não se teve relatos de vítimas. E ainda assim, foi um sensacionalismo impressionante. A ponto do infame Geraldo Luís, do Balanço Geral da Record, sair com câmera e microfone às ruas só para falar com o povão assustado. Uma enorme falta de assunto.

Como no Brasil não é comum haverem terremotos, aqui virou novidade. E foi um tremorzinho de nada. A maioria das pessoas com quem conversei nem sentiu, ou achou apenas que foi um ônibus ou caminhão passando na rua.

Comigo foi assim: eu estava no micro nessa hora. Começou com minha mesa tremendo, depois o monitor tremendo junto, até a janela começar a vibrar também. Foi muito rápido, durou menos de cinco segundos. Fiquei com aquela sensação de o que foi isso? Meia hora depois, pipocaram notícias na imprensa e perguntas no Yahoo! Respostas. E um conhecido me chamou no MSN, em pânico, porque mora muito alto e achou que tudo fosse cair.

Minha impressão sobre isso: no fundo, adorei ter participado de um terremoto, e que venham outros.

Férié malade

Postado em Ma vie privée com as tags , , , em Segunda-feira, Abril 21, 2008 por Fantôme

Eu ainda não estou muito legal, ainda me recuperando da gripe que realmente foi forte. Para completar, ainda rondou o perigo de mais uma internação, e de novo por um motivo aparentemente besta: mais um abcesso, que poderia se agravar e trazer conseqüências mais sérias. Mas nada como ficar em casa, repousando, ainda que me entupindo de antibióticos. Pelo menos não vou perder meu feriado por causa disso.

E outra: ficar em casa pode ser um ótimo programa. Tinha muita coisa para se ver no DVD, alguns programas que eu deixei gravados há séculos e que só agora lembrei de vê-los. Voltei para a cozinha, fiz um frango grelhado com macarrão que saiu melhor do que muita comida de restaurante. E durante o resto do tempo, muita cama, para fazer as dores passarem.

E felizmente, por causa do feriado essa semana vai ser bem mais curta…

Week-end malade

Postado em Ma vie privée com as tags , , em Sexta-Feira, Abril 11, 2008 por Fantôme

Lá vem um ótimo fim de semana pra mim… passei o dia inteiro de cama, por conta de uma tremenda gripe que me pegou de jeito. Nem fui trabalhar hoje, apenas fiquei aqui curtindo os vários sintomas: febre baixa, dores no corpo, falta de apetite, resfriado e crises de bronquite. E agora tem uma semana pra isso tudo sumir.

Outono é foda mesmo…

Presque mort

Postado em Não classificado com as tags , , , em Quarta-feira, Abril 9, 2008 por Fantôme

Esse blog mal estreou e pode estar já com os dias contados. Tudo porque tem um blog criminoso rolando no WordPress, e uma decisão judicial contra ele pode tirá-lo do ar e ainda impedir o acesso dos provedores brasileiros ao mesmo WordPress onde este blog está hospedado. Pior, não disse nem que blog era e qual crime cometeu. Se isso acontecer mesmo, volto ao Sens Intedit mais cedo do que eu pensava.

Não seria mais fácil prender esse cara e tirar o site do ar?

Deux vies

Postado em Litterature gay com as tags , , , em Segunda-feira, Abril 7, 2008 por Fantôme

O título é batido demais, nome de uma novela da Globo e um filme com Bruce Willis. Mas eu gosto dele.

Trata-se de um livro que eu estou escrevendo. Não pretendo publicá-lo, não tenho saco pra ficar procurando editora e nem tenho dinheiro para publicá-lo na cara e na coragem, como fez um conhecido militante gay. No máximo, deixo um PDF rolando por aí. Na verdade, estou escrevendo mais para mim mesmo. Já que não tem muita coisa para se ler quando o assunto é história de gays, resolvi eu mesmo escrever o meu.

A história é um pouco amarga. Mostra um dos lados ruins não de se assumir, mas de ser tirado à força do armário. Mostra a tentativa de ser feliz, mesmo quando se tem uma decepção a cada dia que passa. E mostra também como ás vezes é melhor não confiarmos em ninguém. E que a felicidade pode partir de onde menos se espera. Mesmo assim, o final que já está pronto não é exatamente feliz, mas posso mudá-lo de acordo com meu humor.

O personagem principal é aquela pessoa que conhecemos, gostamos, temos pena quando vemos o que ele passa, nos decepcionamos diante de certas atitudes que ele toma, e mesmo assim torcemos pela felicidade dele. Daí o título, que mostra uma vida antes e outra após ele poder retomar o controle.

Eu não vou falar muito, até porque nem está pronto e falta melhorar muito.

Pour accompagner l’ivresse (ou: le funérail)

Postado em Musique com as tags , , , , em Domingo, Abril 6, 2008 por Fantôme

Eu já avisei que quando morrer, não quero velório nem enterro, e sim ser cremado. E na cerimônia, podem tocar essas músicas, do disco And Soul It Goes, do Century.

Ganhei esse disco quando tinha 13 anos, na época do vinil. Depois perdi e nunca mais achei. Só recentemente tive o prazer de ouví-lo novamente. Lançado em 1987, infelizmente caiu no esquecimento. E no Brasil, pra variar, a pior música do disco, a chatíssima e melosa Lover Why virou música de novela.

É um dos discos mais lindos que eu já ouvi. Quem ouve sente todo um clima altamente depressivo embutido nas músicas. Perfeito para acompanhar um porre homérico ou como música de fundo num funeral. Ou se não for nenhum desses casos, mas estiver a fim de ficar sozinho curtindo uma boa deprê, é uma trilha sonora para acompanhar.

Um Estranho em Mim

Postado em Litterature gay com as tags , , , em Sábado, Abril 5, 2008 por Fantôme

Um Estranho em Mim

Ganhei esse livro quando eu estava me recuperando, e precisava de alguma coisa para ler.

O livro tem um mérito: não ser mais uma história de amor gay passada em São Paulo. Tudo bem que aqui é a capital gay da América Latina, mas dá pra variar de vez em quando. Passado em João Pessoa, Salvador e Recife, o livro conta a história de Eduardo, um médico bem-sucedido e viúvo, que se apaixona por Alexandre, um surfista de 17 anos. Eles assumem o namoro e vão morar juntos. Mas depois de três anos, a relação começa a esfriar, até o dia em que Alexandre abandona Eduardo e sai de casa, e este destrói sua vida, se envolvendo com garotos de programa e um perigoso traficante de drogas.

Quem viu o filme Morte em Veneza, tem idéia do inferno que ele passa. Mas ao contrário de um amor platônico e impossível, a sensação é de abandono. Acontece o que costuma acontecer com coroas que se apaixonam por adolescentes: ele se esquece que aquele garoto um dia vai crescer, vai querer trabalhar, dar um rumo para sua vida e até casar e ter filhos, enquanto ele fica lá sofrendo, achando que perdeu seu garoto e procurando culpados para isso. O garoto lá, vivendo sua vida e ele se acabando.

O livro, apesar de prender a atenção, é meio verborrágico e não escapa de alguns clichês – como mostrar, por exemplo, a infância sofrida de Eduardo, filho bastardo de uma prostituta e pai desconhecido. Ao contar todo o inferno em que ele passa, torna-se por vezes cansativo. E o final não é feliz. Na verdade, como o personagem começa a história já morto e deixando seus relatos escritos, dá para imaginar desde o começo como que vai terminar.

Enfim, uma leitura interessante. Mas eu esperava mais.

Um Estranho Em Mim (Marcos Lacerda, 2007, Edições GLS)