Um Estranho em Mim

Um Estranho em Mim

Ganhei esse livro quando eu estava me recuperando, e precisava de alguma coisa para ler.

O livro tem um mérito: não ser mais uma história de amor gay passada em São Paulo. Tudo bem que aqui é a capital gay da América Latina, mas dá pra variar de vez em quando. Passado em João Pessoa, Salvador e Recife, o livro conta a história de Eduardo, um médico bem-sucedido e viúvo, que se apaixona por Alexandre, um surfista de 17 anos. Eles assumem o namoro e vão morar juntos. Mas depois de três anos, a relação começa a esfriar, até o dia em que Alexandre abandona Eduardo e sai de casa, e este destrói sua vida, se envolvendo com garotos de programa e um perigoso traficante de drogas.

Quem viu o filme Morte em Veneza, tem idéia do inferno que ele passa. Mas ao contrário de um amor platônico e impossível, a sensação é de abandono. Acontece o que costuma acontecer com coroas que se apaixonam por adolescentes: ele se esquece que aquele garoto um dia vai crescer, vai querer trabalhar, dar um rumo para sua vida e até casar e ter filhos, enquanto ele fica lá sofrendo, achando que perdeu seu garoto e procurando culpados para isso. O garoto lá, vivendo sua vida e ele se acabando.

O livro, apesar de prender a atenção, é meio verborrágico e não escapa de alguns clichês – como mostrar, por exemplo, a infância sofrida de Eduardo, filho bastardo de uma prostituta e pai desconhecido. Ao contar todo o inferno em que ele passa, torna-se por vezes cansativo. E o final não é feliz. Na verdade, como o personagem começa a história já morto e deixando seus relatos escritos, dá para imaginar desde o começo como que vai terminar.

Enfim, uma leitura interessante. Mas eu esperava mais.

Um Estranho Em Mim (Marcos Lacerda, 2007, Edições GLS)

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