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Dans la peau d’un jeune homo

Posted in Litterature gay com as tags , , , , on Sexta-Feira, Maio 23, 2008 by Fantôme

Aqui eu vou falar de um livro muito interessante que eu comprei em Paris:

Se eu tivesse a oportunidade de ler esse livro uns 20 anos atrás, minha vida seria bem melhor. Seria capaz de entender, ainda naquele tempo, de que ser gay não é nenhum problema, e que poderia me aceitar bem melhor. Mas como nem tudo é perfeito, só fui lê-lo agora, e o tempo não volta mais… Por isso, é ótimo que existam livros como esse, uma bande dessinée que trata de forma bem-humorada um tema complicado, a descoberta da homossexualidade na adolescência.

Dans la peau d’un jeune homo (na pele de um jovem gay) conta a história de Hugo, um jovem de 14 anos que sem saber o porquê, descobre que não é igual aos outros meninos. Tem vergonha de trocar-se no vestiário, é péssimo no futebol, assusta-se com gestos bruscos como tapas nas costas e se policia para se não faz nenhum gesto que revele sua homossexualidade. E ainda é amigo das meninas, inclusive das mais feias da escola, sentindo-se um peixe fora d’água ao lado dos outros meninos. E a única menina que lhe desperta interesse é Chloe, que além de bissexual, quando vista de costas parece homem.

A história jamais é contada em primeira pessoa. Em vez disso, é como se fosse uma conversa com o leitor. Imagine, por exemplo, você indo comprar uma revista gay e (como se isso fosse enganar alguém) ainda leva L’équipe e Le Monde Diplomatique só para disfarçar. Qual gay nunca fez isso? Eu só me lembrei quando eu alugava um pornô gay e outro hetero…

E ainda mostra o que é confiar um segredo para as pessoas erradas. Hugo se assume para um padre que logo pergunta: você já transou? Diante da negativa, vem com os famosos conselhos: então nem comece. Nem mesmo masturbe-se. Isso não te fará feliz. Você ainda está em tempo de se recuperar. Como se padres tivessem mesmo tanto direito assim de se meter na vida de uma pessoa…

E no fim, a pior hora, a que Hugo se assume para os pais e ainda arruma um namorado. É a pior parte do livro, muito clichê, que mostra só a parte boa de sair do armário. Por exemplo, ganha respeito do irmão homofóbico mas nunca mostra que pode rolar a possibilidade de ser expulso de casa por causa do preconceito.

Enfim, é uma boa leitura para adolescentes e adultos gays que vão se identificar com as situações vividas por Hugo.

Dans La Peau d’un Jeune Homo (Hugues Barthe, Hacchete Littératures)