Faz tempo que eu não falava de filmes aqui. Vão os últimos três que eu assisti, que até têm alguma coisa em comum:
Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)

Finalmente assisti a esse filme. A história eu já conhecia: uma família de losers e completamente desajustada atravessa o país numa Kombi amarela caindo aos pedaços, só para ver sua filha caçula participar de um concurso no qual ela não tem a mínima chance. Além do avô drogado e do gay suicida, um personagem de destaque é o marido, vendedor de um método de auto-ajuda que não funciona nem com ele mesmo.
Mas o final, gente, o que é aquilo? Uma menina de sete anos fazendo um strip-tease, ensaiado com o avô, fiquei chocado. Se bem que a mensagem era exatamente essa, criticar a erotização de crianças nesses concursos. Só como exemplo, há uns dez anos Raul Gil já fazia isso com aquele concurso de mini-tchans e deu o que falar.
Priscilla, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert)

Priscilla é o apelido de um velho ônibus, transformado em camarim e pintado de rosa, que viaja pelo deserto australiano levando três drag-queens que vâo se apresentar num hotel. Mostra um pouco da “vida de artista” e o preconceito que rola com esse tipo de apresentação, além de uma trilha sonora com clássicos gays além do inevitável ABBA. E felizmente, sem cenas de beijo, porque só tem bicha feia.
O interessante é mostrar que a drag Tick (Hugo Weaving) já foi casada e até tem um filho. A mãe dele, por sinal, é lésbica. Tick procura esconder do filho a forma de como ganha a vida, recusa-se a apresentar-se diante dele e até veste uma ridícula roupa de cowboy, querendo aparentar masculinidade. Só que o menino não está nem aí para isso, conta da ex-namorada da mãe e pergunta se o pai namora com a maior naturalidade, mostrando que crianças muitas vezes sabem lidar melhor com o preconceito do que os adultos.
Marcelino Pão e Vinho (Marcelino Pan y Vino)

Filme de 1955 que conta a velha história de um menino abandonado num mosteiro, é criado por 12 frades e que tinha a capacidade de conversar com Jesus Cristo. Na verdade, talvez pelos pobres efeitos especiais da época, apenas mostra uma enorme estátua com o Jesus crucificado, e braços pintados aparecem se movendo para pegar o pão e o vinho (daí o título) que Marcelino rouba dos frades e lhe oferece. A partir daí, apenas apenas ouve-se a voz e uma cadeira é mostrada de costas. Enfim, como recompensa, ele é levado para encontrar a mãe que nunca conheceu – ou seja, é encontrado morto ao lado da estátua. O fato causa comoção na cidade e fica conhecido como o “milagre de Marcelino”.
Obviamente, não tem nenhum veículo velho (no máximo uma carroça quebrada) e não faz qualquer tipo de crítica. Pelo contrário, é muito inocente. Minha mãe contava que choraram muito no cinema na época, mas eu achei muito bobinho.
Update:
E Sua Mãe Também (Y Tu Mamá También)

Mais um filme de estrada, dessa vez sem crianças e sem nenhuma lata velha, mas tão chocante quanto os dois primeiros. Dois adolescentes mexicanos, que eram muito amigos, amigos a ponto até de baterem uma bronha juntos. Conhecem uma mulher sem saber que ela tinha um câncer terminal e resolveu passar seus últimos dias com eles na praia. Eles passam o tempo todo querendo traçar a mulher, mas acabam concluindo que estavam mesmo era a fim um do outro. Com direito a várias cenas de nu frontal masculino e beijo de homens – e aqui, pelo Gael Garcia Bernal, até vale a pena.
Update:
Morto ao Chegar (Dead On Arrival)
Enfim, um filme sem crianças, estradas nem veículos velhos. É a quarta vez que eu vejo esse filme. É a história de um professor (Dennis Quaid) que é envenenado numa festa e tem pouco mais de 24 horas para saber quem o envenenou e o motivo. O desenrolar da trama é mais interesante que o final. Mas é um bom suspense, cheio de reviravoltas, pistas falsas e que não pára um segundo.
