Arquivo para Dezembro, 2008

STOP

Postado em Des conjectures, Notre vie à deux em Sábado, Dezembro 13, 2008 por Fantôme

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Ça suffit!

Essa semana que passou foi a gota d’água. Do jeito que estavam indo as coisas, eu não sei como que isso ia terminar. Mas certas coisas estavam se tornando insustentáveis.

Foram muitas brigas, discussões, mágoas, traições, ciúmes, segredos para os dois lados, até que chegou o dia em que precisamos tomar uma decisão. De tudo concluímos duas coisas: estivemos muito tempo fora de sintonia. Ele querendo uma coisa, eu outra. E exigindo coisas que eu nunca fui capaz de dar. Apesar de ser complicado, e eu ainda estar acostumando com essa idéia, resolvemos dar um tempo. Eu já vinha pedindo isso, ele sempre negou, mas agora entendeu.

There is no more love, in this whole world, there is no more love…

Para chegarmos a tal decisão, passamos meia semana longe um do outro. Ele viajou, eu fiquei. Ele pensou muito no que eu sou para ele, eu nem parei para pensar nisso porque já estava deprimido o suficiente. Fui trabalhar deprimido, tive crises de raiva, quase chorei na rua. Ele ficou lá, cool, fazendo coisas que eu nem imaginaria que ele seria capaz, e foi feliz durante esse curto tempo.

E agora, o que vem? Continuamos amigos, mas uma amizade colorida. E vivendo debaixo do mesmo teto. Foram 11 anos de namoro, que não se jogam fora assim. Ele vai seguir com a vida dele, e eu com a minha. Eu não vou invadir o espaço dele, ele não vai invadir o meu. Ele vai encontrar seus amigos, eu fico em casa na internet. Ele vai curtir suas ervas, eu meus chopes. Ele vai aos restaurantes caros que tanto gosta, eu vou comer frango assado ou marmitex do boteco. Enfim, cada um na sua, apenas marcando presença na vida do outro. Eu aprendi que tenho ao menos três coisas para oferecer: amizade, companheirismo e sexo. E tenho certeza de que ele não quer perder isso.

Quanto a mim, sei que terminou a fase das mágoas e começou a das incertezas. Eu tenho que me segurar ao pouco que me resta nessa vida. Meu trabalho, que vai ter uma mudança radical pro ano que vem. Minha família, que se resume a minha mãe e uma prima. Uns poucos amigos, que raramente vejo porque moram fora de São Paulo. E, claro, à pessoa mais amiga que encontrei nesta vida, a primeira que me compreendeu de verdade. Eu ainda estou me acostumando com essa idéia de “amizade colorida”, vai levar tempo para eu conseguir digerí-la depois de tanto tempo de namoro.

E encerro este post que foi um dos mais sinceros que eu já escrevi. Vou deixar aqui uma música que é a que melhor tem me definido.


CARA VALENTE (Maria Rita)

Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir…
Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração
Olha lá!
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo Cara Valente
Mas veja só
A gente sabe…

Esse humor
É coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai não…

Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só!
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só!
Um jeito de viver
Nesse mundo de mágoas…