We are sorry, really?

Eu acho incrível de como o mundo dá voltas em tão pouco tempo. Sábado passado mesmo, eu estava te pagando um almoço, e nem me importando com o valor da conta…

Bem no primeiro dia deste ano, eu ouvi coisas bem horríveis de você. Dizendo que ia morar sozinho. Que ia receber seus amigos, ia fazer coisas que bem entendesse, e que se por acaso eu quisesse te acompanhar, teria que seguir as suas regras. Isso incluía dormir fora de casa quando você bem entendesse. E eu não estava com moral para fazer qualquer exigência. Afinal, como disse você, eu ”quebrei o encanto” (e não dava para ser menos piegas?)

Além disso, disse que queria viajar sozinho, e que eu teria que merecer sua companhia de novo. Eu estava fora da sua vida. Não totalmente fora, já que continuamos morando debaixo do mesmo teto. Mas você ia viver sua vida do jeito que sempre quis, ou achou que sempre quis. Começou a fazer coisas que eu nunca aceitava. Pelo menos uma coisa eu aprendi: a parar de me importar tanto com você. Você não é mais criança, eu nunca fui seu pai. E agora só vou me importar com suas besteiras quando elas também me atingirem.

O que eu achei engraçado foi você não me deixar conhecer seus amigos, e mandar que eu procurasse os meus. Mas ainda assim, ter que ficar ouvindo o tempo inteiro sobre eles. Pra que eu tenho que saber da vida de uma pessoa que eu não podia nem sequer conhecer? Tava pensando que eu era o quê? Plateia? Tou fora. Nunca fui plateia pra ninguém.

E justamente por não ser plateia, não queria saber das viagens que você vai fazer sozinho, dos caras que você queria transar,do que você ia fumar ou beber daqui em diante. Daí, um belo dia, eu resolvi ficar em casa, porque foi melhor dormir do que aguentar suas conversas. E dormi muito bem, um fim de semana inteiro. Logo veio o resultado: você ficou com falta de ter com quem falar e brigou comigo, já que eu estava de saco cheio de ter que saber da sua vida.

Daí comecei a fazer exatamente o que você queria que eu fizesse: fui viver minha vida, procurei meus amigos, lutei para ganhar meu dinheiro no lugar daquele emprego micado que eu tinha. E deu certo. Arrumei outro emprego. Conheci pessoas novas. Aprendi coisas novas. Parei de gastar dinheiro com besteira e dei um rumo à minha vida. E valeu a pena. E também parei de falar de você para outras pessoas.

Mas e quanto a você? Hoje a gente mal se vê. Mal passamos duas horas por dia juntos. Você agora tem toda a liberdade para fazer o que sempre quis. Mas por que você fica em casa na maior parte do tempo, quando volta do trabalho? Enfornado na TV, no DVD e no PC, quando podia estar por aí bebendo, fumando maconha e saindo com gente que eu sempre abominei na minha vida? Afinal, passei 11 anos ao seu lado, e não fui capaz de fazer justiça a tanto tempo de namoro, pelo menos não do jeito que você queria.

Não estou me isentando de culpa. Sei o quanto eu fui culpado por esse namoro ter acabado. Eu traí, fiz coisas que te magoaram e nunca fui digno de todo o amor que você me deu. Te decepcionei, te magoei, você chorou muito por minha causa. E estava apenas levando o troco por tudo que eu fiz.

Então, por que você agora me liga? Me abraça, me beija, me compra presentes e fala que me ama tanto? Por que não me chama mais de ”ex” e nem diz que a gente terminou, como fazia antes? Por que você está tão carinhoso comigo, depois de tudo que aconteceu? Me chama para almoçar, faz planos para meus dias de folga, e principalmente, diz que não consegue viver sem mim, nem me esquecer para ter sua própria vida? Vai a lugares que eu gosto e que você nunca gostou, em vez de impor os seus? E ontem mesmo, disse pra eu não arrumar outro emprego, para sobrar um pouco de mim pra você?

Acho que é porque eu sou a única pessoa que realmente esteve presente em muitos dos momentos da sua vida. Amigos vieram e se foram, mas eu fiquei. Agora quer que eu lhe chame de ”namorado” de novo. Eu não me sinto tão à vontade para isso quanto antes. Alguma coisa mudou em mim. Não sei o que é, mas espero que eu não volte mais a ser como eu era antes.

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De uma coisa eu sei: eu não preciso provar para você que, mesmo com toda essa crise, o quanto eu te amo. E que cada um tem sua parcela de culpa. Mas eu não chamo isso de ”recomeço”, porque pra mim nada acabou, apenas mudou de nome e de cara. E eu te amo muito. Nunca se esqueça disso.

Uma resposta para “We are sorry, really?”

  1. Fico feliz que toda essa crise tenha dado resultado.
    Aliás, nos momentos de crise é que surgem as soluções para “problemas” criados pelo homem.
    Felicidade para ambos, porque vocês merecem.
    ¿Beijos!

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