Arquivo para Junho, 2009

No Presente

Postado em Des conjectures, Litterature gay em Quarta-feira, Junho 24, 2009 por Fantôme

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Fazia tempo que eu não comprava algum livro que tivesse alguma história gay para ler, e acabei gastando dinheiro nessa arapuca.

André é um menino (a idade não é revelada) abalado com a morte de um tio querido, apaixonado por X-Men, Van Gogh e veterinária, com uma forte aptidão para o piano. Ao mesmo tempo que tenta entender o que aconteceu, tem ainda que lidar com o fato de ser alvo de chacotas na escola e com sua atração por homens. Resolve bancar o detetive e logo descobre que o tio havia morrido de AIDS, que o cara que alugava o quarto do apartamento do tio era na verdade namorado dele. E com esse namorado acaba criando uma amizade e tendo com quem tirar suas dúvidas.

A proposta do livro é até interessante. Consegue a proeza de mostrar a visão de uma criança sobre a homossexualidade e como ela lida com o fato de ser gay, sem cair na pedofilia. Mas ao tentar mostrar como uma criança narraria sua história, acaba caindo num texto repetitivo, cansativo, fraco e sem graça. Fica o mérito porque até onde eu sei, ninguém jamais escreveu sobre um assunto tão delicado. Mas faltou tato e sensibilidade por parte do autor.

E eu já revendi meu livro na Cultura, e ganhei um troco para comprar outro. Sobre homossexualidade na infância, eu ainda estou esperando o filme Do Começo ao Fim estrear no cimema, que trata do mesmo assunto.

Copiando o que já estava ruim

Postado em Bande desinée com as tags , em Segunda-feira, Junho 22, 2009 por Fantôme

Maldito dia aquele que eu comecei a comprar Turma da Mônica Jovem, apenas por curiosidade. O problema é que, por falta de grana, peguei o barco andando e só consegui ler a partir do terceiro número. Mas como consegui comprar os números anteriores, que estavam esgotados e foram republicados, comecei a colecionar.

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Este último número eu achei especialmente um lixo, forçado demais, com uma história ridícula. O recurso de lembrar como nós éramos na infância usando imagens da Turma da Mônica tradicional, presentes em todos os números desde que começou, já deu, mostra total falta de criatividade. Igualmente patético é o Cebolinha, que desde o número anterior fica dando lição de moral. Juro que se não melhorarem, eu paro de comprar e vou doar minha coleção.

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Mas agora apareceu algo ainda mais medonho, chamado Luluzinha Teen. Totalmente oportunista, pegaram os personagens da cartunista Marjorie Henderson Buell (falecida em 1993 e que agora deve estar se revirando no túmulo), fizeram com que eles crescessem e jogaram no mercado pra ver no que dava.

O problema é que os personagens não se parecem em nada com os originais. Luluzinha perdeu os cachinhos. O Bolinha de Bolinha não tem mais nada, já que emagreceu e virou só um menino desajeitado. O Alvinho virou surfista, e a Glória, que era uma menina chata e insuportável, virou uma perua e é a melhor amiga da Lulu, tirando o posto da Aninha que virou uma nerd viciada em tecnologia. Ficaram todos irreconhecíveis.

Na verdade, tanta mudança tem explicação: a revista não encontraria público se os personagens continuassem do mesmo jeito. Isso porque não é publicada mais no Brasil desde 1996, e acho que aquele desenho nem deve passar mais na televisão. Ou seja, ninguém mais lembra dos personagens. Então, forçaram uma semelhança com a cantora Pitty, que faz uma participação especial e até aparece sendo entrevistada no número de estreia. Daria até para perdoar tanta deturpação se pelo menos a história fosse boa, o que não é o caso. Também no estilo mangá, que nem a Turma da Mônica Jovem, o traço é confuso, mal desenhado, e mistura cores com preto e branco.

Um detalhe curioso é ter escrito “primeira temporada” na capa, ou seja, já tem desculpa para acabarem com a revista se encalhar nas bancas. E é claro que eu vou acabar comprando (sim, eu só folheei a revista e detestei), porque eu tenho aquela coisa mórbida de saber até onde uma coisa pode ser ruim.

Ou, como dizia Falcão, não tem nada tão ruim que não possa ser piorado.

(P.S.: só tá faltando o Alvinho aparecer fumando maconha e a Aninha ser lésbica…)

Carinho

Postado em That Morning After em Sábado, Junho 13, 2009 por Fantôme

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Ultimamente a única coisa que tem me dado ânimo é chegar em casa e ganhar um carinho. Do resto, só o saco do dia-a-dia…

Shelter

Postado em Cinéma et DVD em Quinta-feira, Junho 11, 2009 por Fantôme

Fazia tempo que eu não ia ao cinema, e ontem foi a primeira vez este ano. Daí fui ver Shelter, traduzido toscamente como De Repente, Califórnia.

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Devem ter desenterrado esse filme, feito em 2007, por ocasião da parada gay. O lugar onde eu assisti não podia ser mais opotruno, o shopping Frei Caneca.

A história é a mesma de sempre: Zach (Trevor Wright) é um cara típico de cidade pequena do litoral californiano, que teve que deixar de lado seus sonhos para ajudar a família. Passa os dias trabalhando numa lanchonete, surfando, pichando as ruas e cuidando de Cody, um garoto de cinco anos que vê um pai nele, filho de uma mãe solteira que mal olha para ele.

Eis que aparece Shaun (Brad Rowe), um escritor que foi tentar a vida em Los Angeles, irmão de Gabe, seu amigo de infância. Não demora muito para que eles caiam numa noite de bebedeira e partindo pros finalmentes. O maior problema é que Zach é tão mal-resolvido que demora pra entender o que realmente gosta. Tem lá um cara que gosta dele e ele perde tempo tentando gostar de Tori, uma loirinha muito sem sal.

Embora o filme apresente uma mensagem positiva, tem horas que força a barra. A certa altura, os namorados saem de mãos dadas do carro, só para provocar uma desnecessária cena de homofobia. Além disso, demora pra começar, perdendo tempo com cenas de surfe.

No final, sobrou um filme mediano, meio Sessão da Tarde, mas vale a pena.

Du poulet avec bière

Postado em Des conjectures, Não classificado em Segunda-feira, Junho 8, 2009 por Fantôme

Ontem depois do trabalho, fui parar num lugar um tanto insalubre: uma barraquinha de hot-dog e espetinho que fica na Consolação. Lá eu comi três espetinhos, um deles tinha daquelas calabresas vagabundas, bem jesus-me-chama, outro de asinhas de frango e um de carne. Se bobear, carne de gato. Pra beber, cerveja, que pelo menos estava gelada.

Não que meu dia de trabalho tivesse sido ruim, pelo contrário. Esse seria o melhor motivo que eu teria para querer beber e comer essas porcarias. Ainda mais num frio de 14 graus e num lugar que é um antro de bicha velha e horrorosa. O que acontece é que eu gosto de dar essas escapadas de vez em quando, ou pro bar ou pra comer porcaria. Afinal, tenho plano de saúde pra que…

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Lembrei que no final do ano passado o clima estava tão ruim que a melhor coisa que eu podia fazer para esquecer a porcaria de vida que eu levava era encher a lata. Bom, na verdade só fiz isso uma vez. Um dia eu fui deixar minha mãe na rodoviária, e depois que ela foi embora fui para um fast-food na rodoviária do Tietê onde tomei um mega-chopp de 700ml. Já estava bem alto, mas com medo do efeito passar logo entrei em outra lanchonete e pedi outro. Em pouco tempo, eu estava dando risada de um cara bem mais bêbado do que eu, de tanta besteira que ele falava. Até hoje me arrependo de não ter tomado mais um chope, mas fiquei naquela de não gastar dinheiro demais – mesmo bebendo, eu não perco a noção do dinheiro. Apenas comprei um pacote de pururuca e vim comendo até em casa.

Acho que cheguei em casa por instinto, de tão bêbado que eu estava. Pelo menos eu fui feliz, me sentia leve, via a vida com outros olhos, e pouco me lixando pra tudo na vida. Até a hora do porre passar e eu recobrar a razão.

Agora não vejo a hora de tomar meu primeiro porre…