Copiando o que já estava ruim
Maldito dia aquele que eu comecei a comprar Turma da Mônica Jovem, apenas por curiosidade. O problema é que, por falta de grana, peguei o barco andando e só consegui ler a partir do terceiro número. Mas como consegui comprar os números anteriores, que estavam esgotados e foram republicados, comecei a colecionar.

Este último número eu achei especialmente um lixo, forçado demais, com uma história ridícula. O recurso de lembrar como nós éramos na infância usando imagens da Turma da Mônica tradicional, presentes em todos os números desde que começou, já deu, mostra total falta de criatividade. Igualmente patético é o Cebolinha, que desde o número anterior fica dando lição de moral. Juro que se não melhorarem, eu paro de comprar e vou doar minha coleção.

Mas agora apareceu algo ainda mais medonho, chamado Luluzinha Teen. Totalmente oportunista, pegaram os personagens da cartunista Marjorie Henderson Buell (falecida em 1993 e que agora deve estar se revirando no túmulo), fizeram com que eles crescessem e jogaram no mercado pra ver no que dava.
O problema é que os personagens não se parecem em nada com os originais. Luluzinha perdeu os cachinhos. O Bolinha de Bolinha não tem mais nada, já que emagreceu e virou só um menino desajeitado. O Alvinho virou surfista, e a Glória, que era uma menina chata e insuportável, virou uma perua e é a melhor amiga da Lulu, tirando o posto da Aninha que virou uma nerd viciada em tecnologia. Ficaram todos irreconhecíveis.
Na verdade, tanta mudança tem explicação: a revista não encontraria público se os personagens continuassem do mesmo jeito. Isso porque não é publicada mais no Brasil desde 1996, e acho que aquele desenho nem deve passar mais na televisão. Ou seja, ninguém mais lembra dos personagens. Então, forçaram uma semelhança com a cantora Pitty, que faz uma participação especial e até aparece sendo entrevistada no número de estreia. Daria até para perdoar tanta deturpação se pelo menos a história fosse boa, o que não é o caso. Também no estilo mangá, que nem a Turma da Mônica Jovem, o traço é confuso, mal desenhado, e mistura cores com preto e branco.
Um detalhe curioso é ter escrito “primeira temporada” na capa, ou seja, já tem desculpa para acabarem com a revista se encalhar nas bancas. E é claro que eu vou acabar comprando (sim, eu só folheei a revista e detestei), porque eu tenho aquela coisa mórbida de saber até onde uma coisa pode ser ruim.
Ou, como dizia Falcão, não tem nada tão ruim que não possa ser piorado.
(P.S.: só tá faltando o Alvinho aparecer fumando maconha e a Aninha ser lésbica…)