Arquivo para Outubro, 2009

O restaurante mais pavoroso da minha vida

Postado em Gastronomie com as tags , , , em Sexta-Feira, Outubro 30, 2009 por Fantôme

Bom, como o Gourmet Blasé resolveu acabar com o blog dele, resolvi eu mesmo escrever sobre a noite em que eu saí com ele. Só que à minha maneira.

Uma coisa que eu percebi, depois desta noite, é que não existe um só restaurante decente na Rua Amauri. Todos são caros, antros de gente com o narizinho lá em cima, atendimento meia-boca e comida pior ainda. Mas o restaurante Magari merece destaque especial por ser o pior restaurante que eu já fui até hoje.

blog_magari
Quando chegamos e fomos acomodados, já fiquei com aquela sensação de “o que é que eu estou fazendo aqui?”. Motivo: havia um pianista que, não fugindo à regra, cantava mal pra diabo. Mesmo porque, se cantasse bem, não estaria cantando em restaurante. E se tem uma coisa que me dá medo, é qualquer lugar com música ao vivo. Essa regra nunca falha: se tem música ao vivo é porque o lugar não presta. No repertório, Djavan pra variar. E depois Tom Jobim. Só faltou o Guilherme Arantes.

Chegou o couvert, por sinal aceitável. Vários tipos de pão que o garçom sempre repunha, alho, pimentão e atum. Além daquela maldita manteiga congelada, dura que nem pedra, cuja faca não entrava. E depois, simplesmente esqueceram de repôr, isso num couvert de R$ 22. Conclusão: logo depois chegou a entrada, um nhoque com trufas, com mais queijo que nhoque, que ainda por cima tinha que tomar tipo uma sopa.

Daí viram o prato principal e a sobremesa. Salmão para ele e um filé mignon com pimenta verde para mim. Nem preciso dizer o quanto os dois estavam horríveis. Deram uma faca fininha para cortar uma carne alta e passada demais, verdadeira luta para conseguir comer. E as sobremesas, bom, seriam um mascarpone e uma sopa de frutas. Seriam, porque entregaram dois mascarpones. Uma verdadeira gororoba. E eu odeio mascarpone.

Mas o destaque da noite ficou para o final: como se não bastasse o restaurante numa ruazinha pedante, a comida meia-boca e o serviço horroroso, ainda contamos com um maitre desastrado que simplesmente derrubou a champanhe do GB no chão, molhando tudo em volta. A champanhe, por sinal, que estávamos levando e pagando a rolha. Daí, como que o bonito consertou a situação: trouxe sei lá de onde uma outra champanhe da mesma marca, cuja garrafa devia estar aberta há mais ou menos um mês, porque a bebida estava quente e choca. Pagamos a conta, que por sinal levou séculos pra chegar, e o GB deve ter pago pelo serviço – se é comigo, eu não pago e ainda falo umas verdades na cara do maitre, como já fiz uma vez. E pergunta se tomamos cafezinho…

Nem preciso dizer o quanto eu estou com vontade de passar pela Rua Amauri, quanto mais pelo restaurante Magari, de longe o restaurante mais pavoroso o qual eu já tive o desprazer de passar.

Troca Justa

Postado em Des conjectures em Quarta-feira, Outubro 14, 2009 por Fantôme

Como eu disse no meu último post, estou louco para cair fora de São Paulo e viajar. Oportunidade não falta, falta é tempo, mas nada posso fazer a não ser esperar pacientemente.

O fato é que ganhei dois livros recentemente. Um eu li e até ri, o outro eu devolvi sem ler.

Guia Michelíndio (Helena Perim Costa)

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É um anti-guia turístico, que se propõe a contar de forma bem-humorada as roubadas que a gente passa numa viagem. É legal porque quem viaja sempre se identifica com algum programa de índio que já fez e está no livro, entre passeios, companhias e compras. Entre eles, viajar de excursão: é um horror acompanhar grupos e cumprir horários, a gente volta mais cansado do que quando foi. Ou então aqueles ridículos souvernires que  não servem pra nada – e eu ri um monte quando lembrei daquele barrete horroroso que comprei em Porto Seguro…

O problema do livro é que às vezes parece escrito apenas para viajantes do sexo feminino, e não para turistas em geral. Fala muito de companhias masculinas, que roupa vestir em determinados lugares, etc. E algumas tentativas de humor caem no ridículo de tão sem graça. Vale a pena como curiosidade.

O Prédio, o Tédio e o Menino Cego (Santiago Nazarian)

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Na boa, me arrependi de ter escolhido esse livro. Li o último livro do Santiago Nazarian, Mastigando Humanos, e achei um porre. Só o primeiro livro dele que valeu a pena. Este ainda por cima tem “tédio” no nome. Conta a história de meninos pré-adolescentes que moram num prédio torto. Apenas folheei algumas páginas e cheguei à conclusão que era melhor devolver enquanto estivesse novo, porque eu não nunca conseguiria ler de tão chato.

Aproveitei o Mais Cultura e me livrei desses dois livros, pegando desconto num guia de viagem (verdadeiro) para ao menos sonhar um pouco com a boa e velha Europa.

Mauvaise humeur (très sérieux)

Postado em Des conjectures com as tags em Domingo, Outubro 11, 2009 por Fantôme

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Poucas vezes na vida eu estive tão de saco cheio e com vontade de me mandar dessa vida quanto agora.

Minhas vontades nesse momento são apenas de largar aquele emprego, pegar um avião para qualquer lugar longe de São Paulo, de preferência do Brasil, e sumir. E aonde eu estivesse, comprar uma garrafa de vinho, ou de cerveja belga, e encher a cara. E esquecer, por pelo menos um mês, tudo que tem me causado desgosto nesse momento. Com um pacote de salgadinhos pra acompanhar.

Eu estou de saco tão cheio, que a única coisa que me anima e dá forças é ter para quem ligar nos intervalos quando eu estou trabalhando. E narrando quase que em tempo real como está sendo meu dia. Assim eu alivio um pouco a tensão e ele se sente menos sozinho.

Só assim para eu não enlouquecer naquela central, com um servicinho que paga mal, enche o saco de todos os lados, e com 90% de gente chata, nojenta e escrota.  É claro que eu estou aguentando aquela central com a maior paciência do mundo, porque sei que um dia o merecido descanso vai chegar.

Pelo menos o meu mau humor esse ano tem razão de ser…