O restaurante mais pavoroso da minha vida
Bom, como o Gourmet Blasé resolveu acabar com o blog dele, resolvi eu mesmo escrever sobre a noite em que eu saí com ele. Só que à minha maneira.
Uma coisa que eu percebi, depois desta noite, é que não existe um só restaurante decente na Rua Amauri. Todos são caros, antros de gente com o narizinho lá em cima, atendimento meia-boca e comida pior ainda. Mas o restaurante Magari merece destaque especial por ser o pior restaurante que eu já fui até hoje.

Quando chegamos e fomos acomodados, já fiquei com aquela sensação de “o que é que eu estou fazendo aqui?”. Motivo: havia um pianista que, não fugindo à regra, cantava mal pra diabo. Mesmo porque, se cantasse bem, não estaria cantando em restaurante. E se tem uma coisa que me dá medo, é qualquer lugar com música ao vivo. Essa regra nunca falha: se tem música ao vivo é porque o lugar não presta. No repertório, Djavan pra variar. E depois Tom Jobim. Só faltou o Guilherme Arantes.
Chegou o couvert, por sinal aceitável. Vários tipos de pão que o garçom sempre repunha, alho, pimentão e atum. Além daquela maldita manteiga congelada, dura que nem pedra, cuja faca não entrava. E depois, simplesmente esqueceram de repôr, isso num couvert de R$ 22. Conclusão: logo depois chegou a entrada, um nhoque com trufas, com mais queijo que nhoque, que ainda por cima tinha que tomar tipo uma sopa.
Daí viram o prato principal e a sobremesa. Salmão para ele e um filé mignon com pimenta verde para mim. Nem preciso dizer o quanto os dois estavam horríveis. Deram uma faca fininha para cortar uma carne alta e passada demais, verdadeira luta para conseguir comer. E as sobremesas, bom, seriam um mascarpone e uma sopa de frutas. Seriam, porque entregaram dois mascarpones. Uma verdadeira gororoba. E eu odeio mascarpone.
Mas o destaque da noite ficou para o final: como se não bastasse o restaurante numa ruazinha pedante, a comida meia-boca e o serviço horroroso, ainda contamos com um maitre desastrado que simplesmente derrubou a champanhe do GB no chão, molhando tudo em volta. A champanhe, por sinal, que estávamos levando e pagando a rolha. Daí, como que o bonito consertou a situação: trouxe sei lá de onde uma outra champanhe da mesma marca, cuja garrafa devia estar aberta há mais ou menos um mês, porque a bebida estava quente e choca. Pagamos a conta, que por sinal levou séculos pra chegar, e o GB deve ter pago pelo serviço – se é comigo, eu não pago e ainda falo umas verdades na cara do maitre, como já fiz uma vez. E pergunta se tomamos cafezinho…
Nem preciso dizer o quanto eu estou com vontade de passar pela Rua Amauri, quanto mais pelo restaurante Magari, de longe o restaurante mais pavoroso o qual eu já tive o desprazer de passar.