Se tem um lugar que me dá preguiça de ir, é o Centro de São Paulo. Qualquer coisa que eu tenho que fazer e que seja lá, só de pensar, já dá desânimo. Acabo sempre adiando ou vendo se eu não poderia fazer o que eu tinha pra fazer em outro lugar.
Finalmente venci o desânimo e fui conhecer o Cine Marabá, cuja reforma eu acompanhei por alto, em outros blogs. Eu estava esperando passarem um filme que realmente me interessasse, porque odeio entrar em cinema pra ver qualquer coisa. Acabo saindo com raiva e a sensação de que poderia ter gasto meu dinheiro com coisa melhor.

Cine Marabá (foto: blog “A Morte da Cinelândia Paulistana“)
Ok, admito: perto do que estava, o cinema melhorou muito. Só achei o lugar meio escuro e sinistro. E não entendi pra que três bomboniéres (uma na entrada e outra perto das salas, a terceira deve ser no andar de cima, não cheguei a ver) se o cinema só tem cinco salas. Fora isso, as poltronas são confortáveis, as telas grandes, o som Dolby Digital excelente. E a sala 1, onde eu fui ver o filme, é gigantesca.
Quando fui à bomboniére, lembrei por que eu não peço pipoca em cinema. Fiquei um bom tempo fazendo contas, vendo se era melhor comprar daqueles kits ou separado. Eu me recuso a pagar R$ 5 por uma Coca-cola média de máquina, e quase a mesma coisa por um saco de pipoca exagerado o qual eu não vou comer tudo, porque esfria. Acabei guardando meu dinheiro pra depois passar no supermercado, comprar pipoca de micro-ondas e uma Coca 2 litros e comer em casa, e assim gastar menos do que uma Coca média naquele lugar.

O filme escolhido foi A Era do Gelo 3, em 3D. A história não pode ser mais surrada, basicamente se baseando nas trapalhadas da preguiça Sid, que encontra três ovos de dinossauro, pinta uma cara em cada um deles e resolve achar que eles são seus filhos (não sei por que, mas isso me lembrou o horroroso filme Náufrago, que me fez desistir de cinema por um bom tempo). Só que os bebês nascem e Sid não consegue controlá-los, ao mesmo tempo de que tem que lidar com a fúria da mãe deles, que aparece para pegá-los de volta. Acaba carregando Sid junto e levando-o para um vale de dinossauros no centro da Terra. O mamute Manny, sua esposa Ellie, que está grávida e o tigre Diego acabam indo atrás de Sid, e no caminho se metem em todo tipo de encrenca, contando com a ajuda de Buck, uma doninha maluca cujo maior prazer é irritar Rudy, o maior dinossauro da face da Terra.
O resto da história é a bobagem de sempre. O bom é deixar se levar pelo filme, que é muito intenso, aproveitando os recursos 3D quando cabem. Engraçado mesmo é aquele esquilo toda hora se metendo em encrenca por causa de uma noz – e ainda tendo que disputá-la com uma fêmea. Nessa disputa, acaba até dançando com ela uma versão tango de You’ll Never Find Another Love Like Mine do Lou Rawls.
No final, valeu ter conhecido o cinema e ter visto o filme. Minha dúvida é se o Marabá vai vingar depois da reforma, já que fica num trecho perigoso à noite e com uma vizinhança de lascar – entre eles, a cracolândia e os vários cinemas e teatros pornôs que infestam aquele pedaço horroroso do Centro.