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Troca Justa

Postado em Des conjectures em Quarta-feira, Outubro 14, 2009 por Fantôme

Como eu disse no meu último post, estou louco para cair fora de São Paulo e viajar. Oportunidade não falta, falta é tempo, mas nada posso fazer a não ser esperar pacientemente.

O fato é que ganhei dois livros recentemente. Um eu li e até ri, o outro eu devolvi sem ler.

Guia Michelíndio (Helena Perim Costa)

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É um anti-guia turístico, que se propõe a contar de forma bem-humorada as roubadas que a gente passa numa viagem. É legal porque quem viaja sempre se identifica com algum programa de índio que já fez e está no livro, entre passeios, companhias e compras. Entre eles, viajar de excursão: é um horror acompanhar grupos e cumprir horários, a gente volta mais cansado do que quando foi. Ou então aqueles ridículos souvernires que  não servem pra nada – e eu ri um monte quando lembrei daquele barrete horroroso que comprei em Porto Seguro…

O problema do livro é que às vezes parece escrito apenas para viajantes do sexo feminino, e não para turistas em geral. Fala muito de companhias masculinas, que roupa vestir em determinados lugares, etc. E algumas tentativas de humor caem no ridículo de tão sem graça. Vale a pena como curiosidade.

O Prédio, o Tédio e o Menino Cego (Santiago Nazarian)

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Na boa, me arrependi de ter escolhido esse livro. Li o último livro do Santiago Nazarian, Mastigando Humanos, e achei um porre. Só o primeiro livro dele que valeu a pena. Este ainda por cima tem “tédio” no nome. Conta a história de meninos pré-adolescentes que moram num prédio torto. Apenas folheei algumas páginas e cheguei à conclusão que era melhor devolver enquanto estivesse novo, porque eu não nunca conseguiria ler de tão chato.

Aproveitei o Mais Cultura e me livrei desses dois livros, pegando desconto num guia de viagem (verdadeiro) para ao menos sonhar um pouco com a boa e velha Europa.

Mauvaise humeur (très sérieux)

Postado em Des conjectures com as tags em Domingo, Outubro 11, 2009 por Fantôme

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Poucas vezes na vida eu estive tão de saco cheio e com vontade de me mandar dessa vida quanto agora.

Minhas vontades nesse momento são apenas de largar aquele emprego, pegar um avião para qualquer lugar longe de São Paulo, de preferência do Brasil, e sumir. E aonde eu estivesse, comprar uma garrafa de vinho, ou de cerveja belga, e encher a cara. E esquecer, por pelo menos um mês, tudo que tem me causado desgosto nesse momento. Com um pacote de salgadinhos pra acompanhar.

Eu estou de saco tão cheio, que a única coisa que me anima e dá forças é ter para quem ligar nos intervalos quando eu estou trabalhando. E narrando quase que em tempo real como está sendo meu dia. Assim eu alivio um pouco a tensão e ele se sente menos sozinho.

Só assim para eu não enlouquecer naquela central, com um servicinho que paga mal, enche o saco de todos os lados, e com 90% de gente chata, nojenta e escrota.  É claro que eu estou aguentando aquela central com a maior paciência do mundo, porque sei que um dia o merecido descanso vai chegar.

Pelo menos o meu mau humor esse ano tem razão de ser…

Luluzinha Teen #4 – Corra, Lulu, Corra

Postado em Bande desinée, Des conjectures com as tags em Terça-feira, Setembro 8, 2009 por Fantôme

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Depois de um começo promissor, um segundo episódio excelente, um terceiro episódio decepcionante, não dava pra esperar coisa boa do final que é totalmente clichê. E esse jabá da revista Atrevida no final da história, na qual a Luluzinha vai virar colunista é que vai me fazer pensar se não devo enterrar meu dinheiro com coisa melhor.

O que rolou: para salvar seus amigos, Luluzinha teve que entrar no jogo Katana e contar com a ajuda da Aninha. Esta, por sua vez, consegue salvar todo mundo menos o Bola, que quase morre eletrocutado (aliás, é o segundo que quase morre na série). Bombz foi finalmente mostrou a cara, e no final ele não era tão ruim quanto todos pensavam – apenas um adolescente sonhador sem nada na cabeça. E Victor Vergerus teve todos seus planos frustrados mas conseguiu se safar, deixando aquele gostinho de “eu ainda vou me vingar de vocês”. O resto da história foi mostrar o que aconteceu com cada um dos personagens.

Bola e Glória foram os personagens mais apagados da série. O destaque mesmo ficou, além da Luluzinha, com o Alvinho e Aninha. Por sinal, ficou cada vez mais evidente de que ele pode ser lésbica. Basta ver a cena em que ela ia se encontrar com um avatar do jogo e descobre que também era mulher. E fora isso, foi a única personagem que não se interessou por nenhum menino.

Bom, agora é ver o que vai ter na segunda temporada, que vai mostrar uma gangue de motoqueiros – só falta ser a turma da Zona Norte.

Black Dog

Postado em Des conjectures, Gastronomie com as tags , , , em Sábado, Agosto 8, 2009 por Fantôme

Voltando do trabalho, eu quase sempre passo de ônibus em frente ao Black Dog da Joaquim Eugênio de Lima. E ontem me deu a louca de ir lá. Eu estava resistindo à ideia de ir lá, por um simples motivo: o Black Dog para mim era uma grande lanchonete que se descaracterizou. Os lanches ficaram caros, a salsicha longuetti saiu do cardápio, e depois que puseram aqueles combos com batata frita e refrigerante, além de hamburguer, é que eu parei de ir.  Vamos combinar, de McClones já estou cheio.

O público, basicamente de adolescentes pré ou pós-balada, não mudou. O ambiente é tranquilo, considerando ser um fast-food e pelo fato de ficar bem em frente aos barulhentos Café Creme, Prainha e Eugênio’s. O serviço também é rápido e atencioso: faltou pimenta no pote, e logo trataram de trocá-lo. O lanche é aquilo: continua ótimo, mas nem sombra do que foi um dia. Não perguntam mais que tipo de pão o cliente quer, se não falar nada é baguete de queijo sem prensar. O que pra mim não fez diferença, é o melhor pão da casa. E eu gosto daquela crosta de queijo parmesão crocante.

Pedi um Maximus, com um dito molho picante, mas que não senti diferença nenhuma. Tirando a maionese, cheddar e requeijão, que eu odeio, deixei que viessem todos os ingredientes disponíveis. O lanche realmente estufa. Já as batatas fritas precisam melhorar, porque continuam tão salgadas que são desaconselháveis para quem tem pressão alta. E quando vi os refrigerantes disponíveis, na hora lembrei de um certo blog cujo autor deve odiar restaurantes que só servem Pepsi e derivados. Só tinha Pepsi, Soda, Guaraná Antarctica e H2OH. Cerveja, só Skol e olhe lá, uma das que eu mais odeio.

Embora eu prefira o Black Dog dos velhos tempos, gostei de ver como ele está hoje.

Luluzinha Teen #3 – A Serpente dos Ovos de Ouro

Postado em Bande desinée, Des conjectures com as tags , em Sexta-Feira, Agosto 7, 2009 por Fantôme

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Bem, nem vou contar a história desse terceiro volume. Tem um texto no Cultureba que já foi repetido em vários outros blogs. Só vou dizer que esse terceiro número foi decepcionante. Começou bem, mas o final está ficando muito clichê.

Como a história caminha para seu desfecho, as várias pistas falsas e todo aquele mistério dos dois primeiros números estão se resolvendo. Luluzinha, de tanto se meter aonde não é chamada, pôs sua vida e a de seus amigos em risco. É mais um caso de vilão com trauma de infância que depois de crescido resolveu se vingar, que apareceu do nada e quer dominar tudo. Nada de original. Quantos filmes e até mesmo novelas da Globo já não vimos com a mesma coisa? Bem, agora que já se sabe quem é o Bombz e quais são suas intenções, resta saber o que fazer para derrotá-lo. A série está acabando, e mês que vem sai o último capítulo.

De doer mesmo é a Glória aparecer se escondendo atrás de uma revista Atrevida, com capa e tudo.

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Aproveitando o assunto, comprei também a Turma da Mônica Jovem 12. E já estou perdendo a paciência com essa revista. A história dos últimos dois números (“Ser ou Não Ser”), que mostra um Cascão jogador de futebol sendo perseguido por robôs, é ridícula, com argumento ruim e final pior ainda. A revista, que parecia promissora nos primeiros números, ainda não corrigiu seus erros (no máximo, deixou de mostrar os personagens no passado), e está com histórias cada vez piores. Antes de comprar o próximo número, eu vou dar uma boa olhada na banca antes, para não enterrar de novo meu dinheiro.

Bye Bye, That Morning After

Postado em Des conjectures, That Morning After em Segunda-feira, Agosto 3, 2009 por Fantôme

That Morning After era um blog que eu comecei a fazer no começo desse ano.

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Era um blog mais positivo, mais otimista, mais alegre, onde eu procurava relatar apenas alguns momentos bons da minha vida, por mais simples que fossem. Nunca fiz questão de divulgá-lo, era apenas para mim, e nem atualizava muito. Por isso que mesmo com seis meses de vida, escrevi apenas 12 posts.

Resolvi acabar com ele porque não fazia sentido manter dois blogs mais um twitter, sendo que eu não tenho assunto para tanto. Peguei os posts dele e os incorporei a este blog, mantendo data e hora originais, para não que eu não me esquecesse deles. E os deixei marcados na categoria “that morning after”.

Houve um momento em que eu pensei em acabar com este À Coeur Ouvert e ficar só com o outro. Mas eu não aguento ficar sem dizer certas coisas, por isso a melhor saída foi fundir os dois e continuar com este.

Esfihas Effendi

Postado em Des conjectures com as tags , , , em Quinta-feira, Julho 30, 2009 por Fantôme

Taí uma lição que eu nunca aprendo: se a Veja fala bem (ou a Folha, Josimar Melo, whatever…) falam bem, não vá. Serve para qualquer coisa: restaurantes, filmes, peças de teatro, qualquer coisa. Se o lugar tiver um quadrinho da Veja, falando bem “a melhor (categoria do lugar) de São Paulo”, corra. Com certeza não presta.

Esta semana mesmo tive mais uma dessas amargas experiências. Fui parar uma arapuca chamada Effendi, uma dessas casas de esfiha perdidas numa rua escondida na Luz. Chegando na porta, deu vontade de sair correndo. Parece bar de bêbado, daqueles que quando avança a hora só vai cachaceiro. É desses bares com azulejos amarelados, mesas velhas. A estufa, vazia, tem cara de que não é ligada há anos. É daqueles lugares que pedem urgentemente uma reforma, mas que parece que o dono não está nem aí e só quer lucrar.

Bom, pedimos os pratos. Quando chegou a esfiha de queijo na mesa, só pensei: “pelo-amor-de-qualquer-coisa”. Pensei duas vezes antes de comer, me certificando se não tinha fio de cabelo no meio. Já que estava pagando, tive que comer. Pelo menos deu pro gasto.

Daí chegou a kafta. Verdadeira jesus-me-chama de tão gordurosa. Óleo puro. Claro que eu comi, mas agradeci muito por meu trabalho incluir plano de saúde entre os benefícios, porque do jeito que a coisa vai, vou logo precisar de um transplante de fígado.

No final, fui usar o banheiro pra lavar as mãos. O banheiro, surpresa: tinha que atravessar um comprido corredor, proibido para quem sofre de claustrofobia. Ao final do corredor, dava para ver a cozinha, cuja visão me fez me arrepender ainda mais de ter aceitado ir naquela espelunca. O banheiro era fora do, digamos, restaurante. Tinha que atravessar um corredorzinho a céu aberto para chegar. E era tão sujo que não tive coragem de entrar, só lavei as mãos e saí correndo.

E na hora de pagar a conta, o fato que me motivou a escrever este post – afinal, se eu não tivesse que pagar para comer naquele lugar horroroso, ficaria quieto. Não aceitavam cartão de crédito nem Visa Electron, o que me fez gastar metade do que eu tinha no VR. E o valor que eu fui obrigado a gastar, eu pagaria três dias de almoço num boteco aqui perto de casa, só para aumentar minha raiva.

E de raiva, no dia seguinte eu fui no Habib’s…

O vento que inflama… o seu bolso

Postado em Des conjectures com as tags , , , em Domingo, Julho 26, 2009 por Fantôme

Em 5 de outubro de 1997, eu vim morar em São Paulo, começar nova vida. Já naquele domingo, fui levado pelo namorado e mais um amigo para o Vento Haragano, onde tive o prazer de conhecer uma das melhores churrascarias que eu já fui na minha vida. Desde então, voltei poucas vezes. Desde aquele domingo, esta foi minha quarta vez.

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Aliás, quarta e última. Fiquei impressionado de como uma churrascaria tão cara pode ter caído tanto de qualidade. Atendimento ruim, serviço desatencioso, as carnes sem qualidade. No buffet, alguns pratos pareciam sobras de fim de festa. Não tinha quase nada de bom, e o que tinha parecia congelado.

Já na entrada, o mico: uma menina nos atende com um enorme vestido, parecendo fantasia de fada-madrinha. Pegamos uma mesa de canto, num salão quase vazio para um sábado à noite. Fomos ao buffet, e como não tinha nada que prestasse, acabei pegando um carpaccio, simplesmente o pior que eu já comi na minha vida. Congelado, cheio de gelo e não tinha gosto de nada.

Ok, ok… eu sou defensor ferrenho da teoria de que quem vai à uma churrascaria, é para comer carne. Coisas como saladas, massas, feijoada, sushi e camarão existem nesses buffets para agradar quem não gosta de carne e foi na churrascaria de obrigado. Mesmo assim, tendo em vista o que o Vento cobra, o buffet deveria ser no mínimo apresentável.

Ao sentarmos, começaram a passar as carnes. Os garçons simplesmente ignoravam os dois avisos “Não, obrigado” na mesa e atrapalhavam o tempo inteiro, oferecendo carnes. Como o carpaccio estava mesmo intragável, acabei mudando o meu aviso, coisa que não faria a menor diferença. Peguei um coração de frango, que eu adoro, mas que estava passado demais. Depois compensaram passando uns melhores.

E o resto aquela sequência de carnes que todo mundo conhece: picanha (ótima), cordeiro (passado demais), linguiça apimentada (meia-boca), frango (o primeiro ótimo, o segundo borrachudo), alcatra, fraldinha, maminha e várias outras. Destaque para um peixe que não lembro do nome, mas de tão ruim deixei mais da metade.

No final, pagamos a conta, sem sobremesa, sem cafezinho e espantados de como que aquela que já foi uma das melhores churrascarias de São Paulo pode ter caído tanto. E com a promessa de nunca mais voltar.

Vou demorar para ir à uma churrascaria de novo, já que eu fico lotado e sem fome o dia seguinte inteiro sempre que eu vou. Mas juro que quando for, vai ser no Tendall, que é fraquinha mas cobra um preço honesto.

Et si je serais hétéro?

Postado em Des conjectures com as tags , , , em Segunda-feira, Julho 20, 2009 por Fantôme

Abri o Yahoo! Respostas, e vi uma pergunta interessante, embora tivesse vindo de mais uma daqueles fakes descocupados que infestam a categoria GLBT:

Como seria a vida de vocês, caso fossem héteros?

Em vez de dar àquela maluca a resposta que ela merecia, resolvi ter paciência para respondê-la. Isso porque todo gay acaba tendo que responder essa perguntinha miserável umas quinhentas vezes na vida. Então vai minha resposta:

Vocês é que fazem muito terrorismo em cima da vida de um gay ser tumultuada por causa do preconceito. Pois bem, é tão normal quanto a de qualquer outra pessoa. O preconceito existe sim, mas o que conta é a forma de como a pessoa lida com ele.
Me dá calafrios só de pensar se eu fosse hétero. Teria que aguentar pressão da família para arrumar mulher, casar, ter filhos, porque se demorasse muito iam achar que eu sou gay, que tou arrumando mulher só pra disfarçar (estou sendo irônico, mas homem que demora muito pra casar leva essa fama).
Daí beleza, vou casar, ter filhos, vou ter que aguentar todo dia uma mulher que com o tempo vou achar um porre, ter que arcar com um  mundo de responsabilidades como pagar médico, escola (depois faculade), ter que levar filho pra passear no fim de semana. Tudo que eu gastar vai ser multiplicado
no mínimo por três: se saio pra passear, ou conhecer um restaurante, ou viajar, coisas que eu adoro, vou ter que carregar esse fardo extra, sem contar o fato de que mulher e criança gastam pra cacete.

blog_familia

Definitivamente, essa vida não é para mim.

Daí passa o tempo: vou ficar velho, e lá vou eu me separar, ou arrumar outra, ou continuar com a mesma. Os filhos casam, saem de casa, e raramente visitam o pai – muito mal, para trazer os netos naqueles almoços de domingo que eles com certeza vão achar um saco, mas têm que ir porque senão levam bronca em casa.
Se minha mulher morrer antes, eu vou ficar sozinho, ou então procurar companhia na internet ou num desses bailes tipo Cartola Club. Isso porque meus filhos vão lá ter a vida deles, e raramente vou conseguir vê-los. Ou pior ainda, se eu caducar, vão me jogar num asilo. Onde eu vou ter tempo de sobra para lembrar a droga de vida que eu escolhi para viver, em vez de ter aproveitado mais, só para cumprir uma “obrigação” da sociedade.
Bem, isso é o que ia acontecer se eu fosse hétero.

No Presente

Postado em Des conjectures, Litterature gay em Quarta-feira, Junho 24, 2009 por Fantôme

blog_nopresente

Fazia tempo que eu não comprava algum livro que tivesse alguma história gay para ler, e acabei gastando dinheiro nessa arapuca.

André é um menino (a idade não é revelada) abalado com a morte de um tio querido, apaixonado por X-Men, Van Gogh e veterinária, com uma forte aptidão para o piano. Ao mesmo tempo que tenta entender o que aconteceu, tem ainda que lidar com o fato de ser alvo de chacotas na escola e com sua atração por homens. Resolve bancar o detetive e logo descobre que o tio havia morrido de AIDS, que o cara que alugava o quarto do apartamento do tio era na verdade namorado dele. E com esse namorado acaba criando uma amizade e tendo com quem tirar suas dúvidas.

A proposta do livro é até interessante. Consegue a proeza de mostrar a visão de uma criança sobre a homossexualidade e como ela lida com o fato de ser gay, sem cair na pedofilia. Mas ao tentar mostrar como uma criança narraria sua história, acaba caindo num texto repetitivo, cansativo, fraco e sem graça. Fica o mérito porque até onde eu sei, ninguém jamais escreveu sobre um assunto tão delicado. Mas faltou tato e sensibilidade por parte do autor.

E eu já revendi meu livro na Cultura, e ganhei um troco para comprar outro. Sobre homossexualidade na infância, eu ainda estou esperando o filme Do Começo ao Fim estrear no cimema, que trata do mesmo assunto.