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No Presente

Posted in Des conjectures, Litterature gay on Quarta-feira, Junho 24, 2009 by Fantôme

blog_nopresente

Fazia tempo que eu não comprava algum livro que tivesse alguma história gay para ler, e acabei gastando dinheiro nessa arapuca.

André é um menino (a idade não é revelada) abalado com a morte de um tio querido, apaixonado por X-Men, Van Gogh e veterinária, com uma forte aptidão para o piano. Ao mesmo tempo que tenta entender o que aconteceu, tem ainda que lidar com o fato de ser alvo de chacotas na escola e com sua atração por homens. Resolve bancar o detetive e logo descobre que o tio havia morrido de AIDS, que o cara que alugava o quarto do apartamento do tio era na verdade namorado dele. E com esse namorado acaba criando uma amizade e tendo com quem tirar suas dúvidas.

A proposta do livro é até interessante. Consegue a proeza de mostrar a visão de uma criança sobre a homossexualidade e como ela lida com o fato de ser gay, sem cair na pedofilia. Mas ao tentar mostrar como uma criança narraria sua história, acaba caindo num texto repetitivo, cansativo, fraco e sem graça. Fica o mérito porque até onde eu sei, ninguém jamais escreveu sobre um assunto tão delicado. Mas faltou tato e sensibilidade por parte do autor.

E eu já revendi meu livro na Cultura, e ganhei um troco para comprar outro. Sobre homossexualidade na infância, eu ainda estou esperando o filme Do Começo ao Fim estrear no cimema, que trata do mesmo assunto.

Dans la peau d’un jeune homo

Posted in Litterature gay com as tags , , , , on Sexta-Feira, Maio 23, 2008 by Fantôme

Aqui eu vou falar de um livro muito interessante que eu comprei em Paris:

Se eu tivesse a oportunidade de ler esse livro uns 20 anos atrás, minha vida seria bem melhor. Seria capaz de entender, ainda naquele tempo, de que ser gay não é nenhum problema, e que poderia me aceitar bem melhor. Mas como nem tudo é perfeito, só fui lê-lo agora, e o tempo não volta mais… Por isso, é ótimo que existam livros como esse, uma bande dessinée que trata de forma bem-humorada um tema complicado, a descoberta da homossexualidade na adolescência.

Dans la peau d’un jeune homo (na pele de um jovem gay) conta a história de Hugo, um jovem de 14 anos que sem saber o porquê, descobre que não é igual aos outros meninos. Tem vergonha de trocar-se no vestiário, é péssimo no futebol, assusta-se com gestos bruscos como tapas nas costas e se policia para se não faz nenhum gesto que revele sua homossexualidade. E ainda é amigo das meninas, inclusive das mais feias da escola, sentindo-se um peixe fora d’água ao lado dos outros meninos. E a única menina que lhe desperta interesse é Chloe, que além de bissexual, quando vista de costas parece homem.

A história jamais é contada em primeira pessoa. Em vez disso, é como se fosse uma conversa com o leitor. Imagine, por exemplo, você indo comprar uma revista gay e (como se isso fosse enganar alguém) ainda leva L’équipe e Le Monde Diplomatique só para disfarçar. Qual gay nunca fez isso? Eu só me lembrei quando eu alugava um pornô gay e outro hetero…

E ainda mostra o que é confiar um segredo para as pessoas erradas. Hugo se assume para um padre que logo pergunta: você já transou? Diante da negativa, vem com os famosos conselhos: então nem comece. Nem mesmo masturbe-se. Isso não te fará feliz. Você ainda está em tempo de se recuperar. Como se padres tivessem mesmo tanto direito assim de se meter na vida de uma pessoa…

E no fim, a pior hora, a que Hugo se assume para os pais e ainda arruma um namorado. É a pior parte do livro, muito clichê, que mostra só a parte boa de sair do armário. Por exemplo, ganha respeito do irmão homofóbico mas nunca mostra que pode rolar a possibilidade de ser expulso de casa por causa do preconceito.

Enfim, é uma boa leitura para adolescentes e adultos gays que vão se identificar com as situações vividas por Hugo.

Dans La Peau d’un Jeune Homo (Hugues Barthe, Hacchete Littératures)

Un Fantôme en Paris

Posted in Litterature gay, Ma vie privée com as tags , , on Quarta-feira, Maio 14, 2008 by Fantôme

Pois é, aqui estou em Paris. Estou desde domingo passado aqui, curtindo demais essa que é uma das cidades mais lindas do mundo. Eu já tinha deixado pistas mostrando fotos só para quem conhecesse mesmo alguma coisa da cidade, e não enchendo com clichés como Torre Eiffel, Arco do Triunfo ou Avenue des Champs-Elysées. A viagem, apesar de alguns tropeços iniciais, está sendo ótima. Clima gostoso, muita gente bonita na rua e com muito o que se ver e fazer. E eu nem imaginava que ia voltar aqui um dia, eu que já estive aqui há alguns anos.

Os problemas ficaram por conta do pra variar péssimo serviço da TAM, que causou mais de duas horas de atraso, das alfândegas brasileira e francesa que adoram criar problemas, e da novela que é chegar do aeroporto até o hotel sem pagar táxi, que é uma loucura de tão caro.

Além disso, o nosso ilustre companheiro de viagem, o DDR (a quem eu agradeço demais por estar emprestando o notebook e ainda pagando uma conexão wireless) quase foi barrado na imigração, que nem olha na cara da maioria dos brasileiros que passam por lá. E era sua primeira viagem internacional. Logo imagina o branco que ele ficou quando começaram a fazer perguntas (e ele não fala francês). No final, ele passou, aquela lá não é a imigração espanhola (pelo menos por enquanto).

Eu concluí que estou precisando retomar minhas aulas, porque minha compreensão oral está péssima. E ando tendo problemas com meu francês, ao confundir haricot (no caso, vagem e não feijão) com carrot (cenoura). E ouvir alguém falando francês aqui é bem diferente das aulas. Mesmo assim, dá para praticar um pouco.

E eu já fiz tudo que um turista faz – visitar a Torre Eiffel, museu do Louvre e andar na Champs-Elysées – e ainda descobri o Marais, um bairro gay que é tudo que falta em São Paulo. Visitei uma livraria gay, comprei dois livros, andei muito pelas ruas, tomei muito chope nos bares de lá, e até o DDR que não é gay se acabou por lá. É muito bom fugir da rota turística e dos pacotes de viagem dessas CVCs da vida, e poder descobrir coisas novas. E ainda tenho mais quatro dias para curtir.

J’écris plus après. Au revoir.

Deux vies

Posted in Litterature gay com as tags , , , on Segunda-feira, Abril 7, 2008 by Fantôme

O título é batido demais, nome de uma novela da Globo e um filme com Bruce Willis. Mas eu gosto dele.

Trata-se de um livro que eu estou escrevendo. Não pretendo publicá-lo, não tenho saco pra ficar procurando editora e nem tenho dinheiro para publicá-lo na cara e na coragem, como fez um conhecido militante gay. No máximo, deixo um PDF rolando por aí. Na verdade, estou escrevendo mais para mim mesmo. Já que não tem muita coisa para se ler quando o assunto é história de gays, resolvi eu mesmo escrever o meu.

A história é um pouco amarga. Mostra um dos lados ruins não de se assumir, mas de ser tirado à força do armário. Mostra a tentativa de ser feliz, mesmo quando se tem uma decepção a cada dia que passa. E mostra também como ás vezes é melhor não confiarmos em ninguém. E que a felicidade pode partir de onde menos se espera. Mesmo assim, o final que já está pronto não é exatamente feliz, mas posso mudá-lo de acordo com meu humor.

O personagem principal é aquela pessoa que conhecemos, gostamos, temos pena quando vemos o que ele passa, nos decepcionamos diante de certas atitudes que ele toma, e mesmo assim torcemos pela felicidade dele. Daí o título, que mostra uma vida antes e outra após ele poder retomar o controle.

Eu não vou falar muito, até porque nem está pronto e falta melhorar muito.

Um Estranho em Mim

Posted in Litterature gay com as tags , , , on Sábado, Abril 5, 2008 by Fantôme

Um Estranho em Mim

Ganhei esse livro quando eu estava me recuperando, e precisava de alguma coisa para ler.

O livro tem um mérito: não ser mais uma história de amor gay passada em São Paulo. Tudo bem que aqui é a capital gay da América Latina, mas dá pra variar de vez em quando. Passado em João Pessoa, Salvador e Recife, o livro conta a história de Eduardo, um médico bem-sucedido e viúvo, que se apaixona por Alexandre, um surfista de 17 anos. Eles assumem o namoro e vão morar juntos. Mas depois de três anos, a relação começa a esfriar, até o dia em que Alexandre abandona Eduardo e sai de casa, e este destrói sua vida, se envolvendo com garotos de programa e um perigoso traficante de drogas.

Quem viu o filme Morte em Veneza, tem idéia do inferno que ele passa. Mas ao contrário de um amor platônico e impossível, a sensação é de abandono. Acontece o que costuma acontecer com coroas que se apaixonam por adolescentes: ele se esquece que aquele garoto um dia vai crescer, vai querer trabalhar, dar um rumo para sua vida e até casar e ter filhos, enquanto ele fica lá sofrendo, achando que perdeu seu garoto e procurando culpados para isso. O garoto lá, vivendo sua vida e ele se acabando.

O livro, apesar de prender a atenção, é meio verborrágico e não escapa de alguns clichês – como mostrar, por exemplo, a infância sofrida de Eduardo, filho bastardo de uma prostituta e pai desconhecido. Ao contar todo o inferno em que ele passa, torna-se por vezes cansativo. E o final não é feliz. Na verdade, como o personagem começa a história já morto e deixando seus relatos escritos, dá para imaginar desde o começo como que vai terminar.

Enfim, uma leitura interessante. Mas eu esperava mais.

Um Estranho Em Mim (Marcos Lacerda, 2007, Edições GLS)

Un peu de littérature

Posted in Litterature gay com as tags , , on Domingo, Março 30, 2008 by Fantôme

Quero começar esse blog falando um pouco de cultura.

Andei relendo velhos livros que tinha aqui durante o tempo em que fiquei de molho, e ainda ganhei um novo de presente. E acabei concluindo que estamos carentes de bons livros gays, que não sejam sobre história da homossexualidade, homossexualidade versus religião (ô assunto mais chato!), auto-ajuda ou humor. Histórias de relacionamento entre homens, muito poucas. E os títulos disponíveis não são lá essas coisas. Por falta de opção, eu andei encontrando uns e-books de péssima qualidade, de quinta categoria, com histórias forçadas e mal escritas, mas que pelo menos tinham o que eu queria ler.

Criei essa sub-categoria e que de vez em quando vou voltar nela para falar de alguma coisa que eu tenha lido.