Como eu havia dito, eu ia acabar comprando a revista da Luluzinha Teen e Sua Turma. Embora eu ainda não tenha conseguido engolir tanta deturpação com personagens que fizeram parte da minha infância, resolvi engolir a raiva e comprar, para ver o que tinha de bom. Até porque já saiu o número 2.

Como eu já disse, os personagens não se parecem nada com os originais, e a série está sendo muito criticada em blogs americanos, com comentários até de brasileiros. Um deles chegou a dizer que se não aparecessem segurando uma foto na capa de como eles eram antigamente, jamais seriam reconhecidos. Também, não é pra menos. As diferenças mais gritantes são:
- Luluzinha mudou pouco na personalidade, continua muito esperta e sempre disposta a ajudar e resolver tudo que acha errado. Mas tá parecendo mais a Pitty do que aquela menina de cabelos cacheados.
- Bolinha, que era um menino gordo e comilão, emagreceu e é o mais descaracterizado. Não toca mais violino, virou guitarrista de uma banda de garagem. Aliás, ele mal aparece. Pelo menos nesse primeiro volume, só mostra suas trapalhadas quando teima em ser vocalista da banda que criou, já que canta muito mal, e vez por outra aparece ao lado da Lulu, só isso.
- Gloria era uma menina chata e interesseira, que só namorava o Plínio por causa do dinheiro dele e vivia dando fora no Bolinha. Agora virou fashionista, muito amiga da Lulu e sua consultora de moda particular. Já nesse primeiro volume, ela mandou o Plínio passear (mas ele deu o fora antes) e se interessou por outro. Ela e o Bolinha parece que nem se falam mais.
- Aninha virou uma nerd viciada em tecnologia, tão viciada em jogos virtuais que mal presta atenção na vida lá fora. Nos jogos virtuais, tem que fazer papel de menino, para ser aceita num grupo e lutar - as meninas só podem mesmo virar gueixas e fazer chá. Seria isso um sinal de que ela pode ser lésbica?
- Alvinho (que ganhou o apelido de “Loro”) era só um menino chato. Pois agora ele ganhou destaque, virou surfista e pensa mais em praia do que em escola. Luluzinha, de certa forma, continua sendo sua babá, só que em vez de contar histórias da Pobre Menininha, tem que ajudá-lo na escola e a se livrar das encrencas que ele se mete.
- A turma morava numa cidadezinha típica norte-americana. Pois agora moram no litoral, na fictícia cidade de Liberta, e o que tem para se fazer lá é mesmo a praia e um clube chamado Livre. Estudam numa escola chamada Unida. Talvez Dona Marocas já tenha morrido ou se aposentado.
- Foi criado um número enorme de personagens secundários, como Jet e Teo (amigos do Alvinho), Diana (mais parecida com a Gloria de antigamente), Leon (da escola iNova, rival da Unida), entre outros, o que deixa a história confusa. Os amigos do Bolinha (Juca, Zeca e Carequinha) ficaram relegados à banda e mal aparecem.
Os principais pontos que fez com que a revista se tornasse alvo de críticas são esses. Mas se comprei, é porque estava a fim de ver qual era a da história. E concluí que a história era boa e a série teria futuro se não fosse tão oportunista.
Rock, Verdades e Webcam
Nesse primeiro número, após uma breve apresentação dos personagens, ficamos conhecendo a escola Unida. Após a aula, Leon faz uma apresentação de um trabalho voluntário de recuperação da escola iNova, de Vila Nova, um bairro pobre de Liberta. Os alunos da iNova são levados para conhecer a Unida, e não tarda muito para começar a rivalidade entre eles.
Um dia, a Unida aparece com as paredes pichadas, o que faz com que todo mundo jogue a culpa na iNova. Lulu tenta descobrir o que está acontecendo, quem está por trás disso e qual o interesse em jogar uma escola contra a outra. E vai descobrir sozinha, porque as aulas foram suspensas e todo mundo está mais a fim de saber de praia, inclusive do campeonato de surfe no qual Alvinho irá disputar, inclusive com gente da iNova; e do show da Pitty que irá acontecer à noite no Livre. Aninha tenta ajudar, através de seus amigos virtuais. No caminho, várias pistas falsas, reviravoltas e finais que deixam suspense para próximo episódio.
Pelo menos para este primeiro número, a revista saiu muito boa. Não é tão forçada quanto o começo da Turma da Mônica Jovem, não se prende ao passado como naquela revista e nem tem aquele ritmo lento dos mangás. Pelo contrário, apesar do traço confuso (vários personagens têm a mesma cara) e do excesso de personagens, toma algumas liberdades em relação aos mangás: a leitura é da esquerda para a direita e os momentos mais intensos são em cores.
Enfim, uma boa revista. Mas que poderia ser feita com personagens realmente novos.